“Maria Barroso não foi sempre uma mulher de fé, nem tão
pouco uma católica praticante. Filha de um pai anti clerical, aprendeu com a
avó materna, em criança, a rezar e a ir à missa.
Na juventude ligou-se às causas políticas e, descontente
como a Igreja Católica de então punha em prática a doutrina de Cristo, acabou
por esquecer-se de Deus, como a própria já confessou.
A sua «fé adormecida», contou uma vez, renasceu em Setembro
de 1989, quando o filho João sofreu um acidente de avião em Angola. Assim que
soube da notícia, encarregou uma amiga de ir pedir ao padre do Campo Grande
para rezar pelo filho. Foi depois pela voz do médico, que tratou João Soares na
África do Sul, que ouviu as palavras providenciais que ditariam a sua
conversão: «O seu filho está melhor mas continua muito doente. Peça a Deus»
Maria Barroso pediu. E o filho curou-se.
A partir daí tornou-se católica convicta e foi baptizada, já
em idade adulta, numa cerimónia privada presidida pelo padre Feytor Pinto. A
mulher de causas públicas e conhecida pela sua frontalidade, entrava na Igreja
Católica quase às escondidas, talvez para não causar incómodos a uma família de
ateus e políticos habituados a estar em barricadas opostas às da Igreja. Nunca
se referiu em público a este acontecimento, reconhecendo apenas que fora
baptizada já adulta.
«Foi um caminho de fé muito bonito e profundo», confidencia
Feytor Pinto, o seu orientador espiritual, refugiando-se no sigilo profissional
para não falar sobre esse aspecto da sua vida.”
Por: António Tadeu Costa
Transcrição: Simão Pedro Costa

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