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sábado, 31 de dezembro de 2022

A morte de Bento XVI e quando sorriu para o meu filho.

 Hoje, dia 31 de dezembro de 2022, faleceu o querido Papa Emérito Bento XVI. A sua longa idade antevia que em breve ele estaria a caminho da Casa do Pai. Li algures na Bíblia, numa nota em Génesis 5, que "Uma vida longa é uma Bênção de Deus" e esta foi a vida deste homem de Fé e um Revolucionário.

Aquando da sua Resignação "escrevi-lhe" esta Carta aqui publicada neste blogue em 11 de fevereiro de 2013. Passados estes anos mantenho o mesmo sentimento e uma enorme gratidão.

Quando visitou Portugal acompanhámos o Papa Bento XVI em três momentos: no Terreiro do Paço, em Fátima na Santa Missa  e igualmente em Fátima na Audiência. A família, eu a minha esposa e os meus três filhos estivemos e rezámos com ele. 






Acontece que após a Santa Missa e quando Bento XVI saía no papamóvel da Capelinha das Aparições, o meu pequenino filho encontrava-se junto ao gradeamento, e após a sua passagem, depois de ter dado um beijinho a um bebé, o meu filho, muito feliz, disse-nos: "O Papa sorriu para mim e disse-me adeus". O 'adeus' a que o meu filho se referia mais não era do que o Sinal da Cruz, abençoando aquele menino. O nosso filho estava tão contente que este estado de felicidade perdurou durante o dia. É um apontamento, sem significado para outros que não a família, mas sabendo que na altura se falava insistentemente na comunicação social que o Papa era um homem distante do povo e frio, não deixa de ser um aspeto a relatar.





Para memória futura, deixo o acesso à Rádio Renascença sobre o desenvolvimento das notícias e a um excelente podcast do Jornal Observador.

Rezemos por este Papa.

António Tadeu Costa

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Filme DOIS PAPAS

Tenho estado ausente deste espaço, de blogar, que teimo em manter. Ainda encontro nele o meu depositário de pensamentos (uma parte deles) e desta vez para divulgar o que experienciei: vi o filme dos Dois Papas um exclusivo Netflix.

Irei vê-lo novamente porque sendo duas pessoas marcantes da história mundial recente e vinculados à Igreja Católica e Apostólica, o filme trata da relação entre dois homens algo distantes na forma como pensam na Missão de sacerdotes mas tão próximos de Deus, por isso Ele os escolheu.

Brilhantes os atores principais: Anthony Hopkins em Bento XVI e Jonathan Pryce em Francisco

Um agradecimento à filha Sara por nos facultar a subscrição deste canal Netflix e aproveitando a generosidade ainda verei este filme pelo menos mais uma vez.

E já agora o que diz a crítica com os olhos daqueles que o viram e de quem discordo em muitos aspetos:
foto internet
Por, António Tadeu Costa

domingo, 10 de novembro de 2019

Os três Papas e a mensagem de Fátima

Tomar é uma pequena cidade mas intensa em hospitalidade, cultura e história. Estivemos numa fugaz visita a caminho do 13 de outubro de 2019 em Fátima. Dos vários locais visitados, de ordem secundária mas interessantes, pois o mais emblemático é o Convento de Cristo, detivemo-nos na Igreja de Santa Maria dos Olivais. Belíssima igreja que estava a acolher a jornalista Aura Miguel para uma comunicação de apresentação do seu livro sobre os Três Papas.

Deste modo partilho as notas pessoais que recolhi e que apenas a mim me comprometem caso tenha entendido algo de forma menos clara.
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Aura Miguel – Tomar (Igreja de Santa Maria dos Olivais) – 11.outubro.2019
Notas retiradas de uma audiência em Tomar para a apresentação do livro

Quando visitou a Papua Nova Guiné o Santo Papa João Paulo II tinha como missão a beatificação de um catequista natural daquele país. Entretanto a jornalista Aura verificou que estavam presentes vários indígenas, trajados segundo os seus rituais e tinha a informação de que seriam canibais. Pensou que estivessem ali por cortesia e folclore. Mas enganou-se, aquele grupo estava ali por Fé e a forma como acompanharam a Eucaristia foi assumida e sentida. Que trabalho este de divulgar Deus Nosso Senhor em terras tão distantes por meio dos nossos irmãos missionários. Por isso João Paulo II dizia que na evangelização Pedro andava de casa em casa e Paulo de terra em terra. 
Não foi a ocasionalidade que motivou a visita de João Paulo II no ano 2000 ao Azerbaijão, país com 1 paróquia e 127 católicos, e posteriormente o Papa Francisco tornou a ir lá e desta vez eram 700 os católicos presentes. Este é o sentido de missão dos que ocupam a cadeira de Pedro.
Um aspeto que terá chocado a opinião pública, considerando igualmente os católicos, teve a ver com o estado debilitado do Papa João Paulo II no final do seu longo pontificado. Em 2000 nas Jornadas Mundiais da Juventude a sua aparência não “incomodou” os jovens não os fez desmobilizar, muito pelo contrário, era um sinal de levar a Vida como ela se apresenta e que teve o seu expoente máximo no dia em que tentou dar a Bênção por altura da Páscoa, onde se expôs ao Mundo Frágil como Cristo a caminho do Calvário. Não conseguiu dar a Bênção mas deu tudo o que podia, porque era livre assim como Cristo. Semelhante liberdade utilizou-a Bento XVI quando largou o pontificado. Isto é dar-se totalmente a Nosso Senhor.
O Papa Bento XVI pediu no seu pontificado que a Fé não fosse sentimentalista, por isso a jornalista entende que o que melhor traduz a essência dos três Papas: em João Paulo II a Esperança, no Bento XVI a Fé e em Francisco a Caridade.
O Papa Francisco diz que a realidade é superior à ideia, não foi por acaso que nas Filipinas numa Missa ao ar livre rejeitou o que tinha escrito e em alternativa juntou-se ao povo abandonando o discurso, que era lindo e que pode ser consultado, tendo rezado como um pai com a multidão.
Na Coreia do Sul Francisco visitou uma instituição com deficientes profundos, estes com certeza estariam aleados quanto ao contexto, contudo Francisco demorou e deu-se um a um, estando com eles e dando pouco tempo aos consagrados que o esperavam noutro local.
Quanto a Fátima e os Papas: J. Paulo II (totus tuus), chegou a dizer que os 3 anos do seu pontificado foram decididos por ele, até ao momento do atentado no Vaticano. O experiente atirador, inacreditavelmente, não matou o Papa o que levou João Paulo II a dizer que o pontificado foi de 3 anos os restantes foi milagre de Fátima, a relação foi ainda superior ao Papa Pio XII que tinha por Fátima uma adoração única.
O Papa Bento XVI conhecia o dossiê de Fátima e as mensagens anunciadas aos pastorinhos por Nossa Senhora. Em 2010 ficámos a saber que a conversão era dirigida a nós portugueses, isto porque na mensagem há uma vocação individual mas igualmente coletiva. 
Mas porque Maria apareceu aos pastorinhos, crianças humildes, numa localidade pobre e em Portugal?... As razões que só o Céu sabe estabelecer têm a ver, num primeiro aspeto com a devoção a Maria Imaculada antes do século XIX, outra causa foi a coroação de Maria por D. João IV,… Bento XVI lembrou isto dizendo que o Céu abriu-se a Portugal numa janela de esperança, onde as trevas provinham: da 1.ª guerra mundial, o poder da Rússia imperial e as igrejas fechadas em Portugal na Primeira República.
Bento XVI entende que o terceiro segredo de Fátima não está esgotado pois continua, de certa forma, com os ataques ao Papa e nomeadamente pelo pecado que existe no interior da igreja.




CADA UM DE NÓS PODE FAZER A DIFERENÇA EM APOIO AO PAPA. 
FÁTIMA TEM UM POTENCIAL PARA A PAZ NO MUNDO.
Por, António Tadeu Costa


sexta-feira, 2 de março de 2018

Bento XVI , a derradeira caminhada?...

"Bento XVI, retirado naquele mosteiro dentro dos muros do Vaticano, vive hoje (quase a fazer 91 anos) a quietude do "lento declínio" da sua "força física", como escreve na referida carta em que responde às preocupações dos muitos leitores do jornal que queriam saber como estava o papa que resignou há cinco anos. "Estou numa peregrinação interior para a Casa", assim, com maiúscula numa referência a Deus (para a casa do Senhor)."

Fotografia na internet

sexta-feira, 25 de março de 2016

Um Coração que Vê

Por, Joseph Ratzinger - Bento XVI - "Jesus de Nazaré - Parte II - Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição"

“Vós estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado”, disse Jesus aos seus discípulos no discurso sobre a videira. É a sua palavra que penetra neles, transforma o seu pensamento e a sua vontade, o seu “coração”, e o abre de modo a que se torne um coração que vê. (p.57)

Museu - Vida de Cristo - Fátima.2016
Ontem, e a propósito, estivemos na Santa Missa - Missa da Ceia do Senhor. No momento do lava-pés o sacerdote, simbolizando o gesto de humildade e de purificação de Jesus Cristo, lavou os pés e osculou-os a cada um dos doze que personificavam os discípulos.
Em tempos bem próximos fui convidado para ser um dos doze na santa missa. Tenho presente o incómodo que senti pois desejaria estar sintonizado com um Pedro e não deixei de pensar em Judas, aquele que o havia de trair sem qualquer justificação apenas porque nunca soube entender o que era ser um Homem Novo.
Jesus, o Homem Novo, veio dar-nos a Boa-Nova, um Novo Mandamento, libertou-nos de preconceitos e tornou-nos humildes, servos e misericordiosos. Elevou bastante o compromisso com princípios tão simples de vida - "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI".

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Deus não poupou Maria

Escolhida por Deus para ser a mãe do Redentor, Maria disse que SIM. Tinha tudo para ser a mãe mais poupada a sacrifícios, mas Deus assim não quis. Na Cruz, para remissão dos pecados, foi pregado seu amado Filho cujo sofrimento se estendeu a sua Mãe que dolorosamente, mas com Amor, tudo aceitou tornando-se exemplo para a humanidade. 

Dizia J. Ratzinger (Bento XVI) em "A infância de Jesus" (p. 75): 
"Entre os Padres da Igreja, considerava-se a insensibilidade, a indiferença face ao sofrimento como típica do paganismo. A isto, a fé cristã contrapõe o Deus que sofre com os homens e, deste modo, nos atrai na compaixão. A Mater Dolorosa, a Mãe com a espada no coração, é o protótipo deste sentimento fundamental da fé cristã."

Hoje, dia 13 de julho, louvemos a Nossa Senhora, Nossa Mãe que acolheu seu Filho Jesus para nosso bem e para o bem da Santa Igreja.

Foto de


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Papa Francisco e o Papa Emérito Bento XVI na final do Mundial - caricatura


Algumas das fotografias são muito rebuscadas o que perde na  espontaneidade e graça, mas o tema Argentina contra a Alemanha em futebol e a ligação a ambos os Papas tem oportunidade. Eu destaquei este cartoon:
António Tadeu Costa

domingo, 29 de junho de 2014

Lumen Fidei - Vida de Fé - 29 de junho de 2013

Um ano depois da sua assinatura, aqui se apresenta o link da Encíclica Lumen Fidei, uma carta escrita a duas mãos iniciada pelo Papa Emérito Bento XVI e concluída pelo Papa Francisco. E que termina de forma tão bonita e íntima, numa abundância de ternura, para com a Nossa Mãe:

"Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.

Abri o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.

Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.

Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé.

Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.

Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.

Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.

Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz da fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor."



domingo, 27 de abril de 2014

Uma cerimónia que juntou quatro Papas

Domingo da Divina Misericórdia - dia instituído por João Paulo II - que juntou em Roma quatro Papas: João XXIII, João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

Uma abundância para a igreja. Um desafio para a humanidade. Uma prova de amor de um Cristo que nos deixou um alerta - sede misericordiosos - Ele na Cruz, em sofrimento cortante anuiu ao pedido do bom ladrão dizendo-lhe: "Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso".

Como disse o Papa Francisco, hoje, este Cristo apresenta-se-nos em Amor, Fidelidade e Misericórdia e pede-nos que O sigamos nestes valores... Difícil?... Seguramente, Ele não faz por menos... Atingível?... Claro que sim; aí estão São João XXIII e São João Paulo II a mostrar-nos que é possível.

Santo João XXIII
Santo João PauloII
Papa Emérito Bento XVI
Papa Francisco
Relíquias
Jesus Cristo
Jesus Cristo

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O adeus de Bento XVI, um ano depois

O adeus de Bento XVI, um ano depois: A Renascença transmitiu, de forma inédita, num simultâneo rádio e vídeo, a despedida de Bento XVI e o início da sede vacante. Há um ano, o mundo digeria ainda a surpresa causada pelo anúncio da resignação do Papa. Recorde agora esses momentos, que a V+ levou até si.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Bento XVI sabia porque era necessário termos um Ano da Fé - uma história de vida


Bento XVI sabia porque era importante o Ano da Fé.

Eu explico.

A minha filha frequenta um curso de licenciatura na área educacional.  Como é comum falamos sobre a vida académica. Ultimamente ela e colegas têm, nos momentos de pausa das atividades, convivido e falado muito sobre o tema: a religião. Apercebi-me que o leque de debate atravessa o vulgar “ser ou não crente”. Por vezes as conversas, segundo me conta a rapariga, chegam a níveis de um grande confronto ideológico.

Tenho assistido a estes episódios com o distanciamento necessário, ouvindo os argumentos da filhota e tentando neutralizar alguns extremismos. Mas no final destes momentos fico animado de uma alegria por ver que a juventude está sedenta da Verdade. Este lado banal de juntarmos sentimentos e princípios a um exercício “instantâneo”, fugaz, do momento, de alegrias tão passageiras, afinal de contas isto não serve aos jovens.

Eu sei que nestas conversas a juventude procura algo mais que o vencer de um argumento. Por isso também percebo que para a nossa filha a construção da sua Fé passa por estes momentos: quando defendemos os nossos ideais esta acção permite uma maior consolidação dos princípios estruturantes da Vida.

Enquanto pais demos aos nossos filhos um percurso que permitisse o conhecimento do caminho, a verdade e a vida - Deus – e que por meio do Seu Filho Jesus Cristo nos revelou a fonte da salvação. Eles sabem, por isso, que a vida é tortuosa, entusiasmante mas legitimada pela Fé.

Vou continuar a acompanhar os próximos “episódios”. Isto promete mas tentarei demonstrar que não se pode perder a matriz ecuménica e inter-religiosa.

Estamos mesmo no Ano da Fé.

Obrigado Papa Bento XVI.
Obrigado filha.
por, António Tadeu Costa

sábado, 23 de março de 2013

Bento XVI, o Pontificado da Humildade (Papa Francisco) - vídeo

O encontro entre o Papa Francisco e o Papa Emérito Bento XVI em Castel Gandolfo foi um momento emocionante e de uma beleza singular. Primeiro o encontro entre os dois Bispos de Roma. Depois a constatação que o nosso Bento XVI está fisicamente muito débil. De seguida a ternura dos gestos: o aperto das mãos, o olhar de cumplicidade, a alegria natural.
A "peça jornalística", tão curta mas intensa de sinais, revela-nos o Papa Francisco dizendo a Bento XVI: "Nós somos irmãos, rezamos juntos" - sempre a oração, pois o caminho é Cristo. Verifica-se que Bento XVI tenta evitar o pedido, ele não quer protagonismo, mas Francisco é desconcertante de bondade e deu-nos mais uma lição apresentando a verdadeira "arma" - a oração.
Por fim a frase sublime de amor: o Papa Francisco oferece uma imagem da Nossa Senhora da Humildade dizendo a Bento XVI: "Permita-me que lhe diga, eu pensei em si e no seu pontificado".

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

“Não serei mais papa, mas apenas um peregrino que começa a última etapa da sua peregrinação na terra”, afirmou Bento XVI.


http://souumkairos.blogspot.pt/2013/02/obrigado-pro-tudo-bentoxvi-bento-xvi.html
http://paroquia-nsc-alexandria.blogspot.pt/2013/02/obrigado-bento-xvi.html
http://schoenstatt50aveiro.blogspot.pt/2013/02/lisboa-400-mil-cartazes-dizem-obrigado.html
http://paroquiasantoantonioscs.blogspot.pt/
http://deusdeternura.blogspot.pt/2013/02/obrigada-bento-xvi.html
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3066048
http://grupodeoracaoagape.wordpress.com/
http://sumateologica.wordpress.com/2013/02/20/obrigado-querido-bento-xvi/
http://carloslopesshalom.wordpress.com/2013/02/11/papa-bento-xvitexto-de-sua-renncia/
http://www.fundacao-ais.pt/noticias/detail/id/2939/

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=79229
Fátima, Maio de 2010, desta família Cristã
http://blog.cancaonova.com/radiofm/2013/02/13/joseph-ratzinger-papa-bento-xvi-o-papa-certo-para-tempos-incertos/
Continuar a abrir as portas a Cristo

domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Bento XVI, muito obrigado por renunciar."


«Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa renunciou.” Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.

O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros, muitos, a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.

Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei para lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por quê?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou toda a sua vida.

Simples assim.

O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.

E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.

Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir para escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo num mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. 

Sim, claro.

Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.

Bento XVI, muito obrigado por renunciar."



Traduzi do artigo postado em http://oehd.wordpress.com/2013/02/12/siempre-renuncias-benedicto/ 


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carta para o Papa Bento XVI no dia em que anunciou a "resignação"

Sua Santidade Papa Bento XVI

Hoje, pelas 12.30 horas a minha mãe telefonou-me para dar uma notícia: “O Papa resignou”. Por um momento pensei que fosse uma brincadeira da época e foi com uma perturbante tristeza associada, quase de seguida, a uma imensa gratidão que ouvi os desenvolvimentos da notícia.
Por momentos, o meu país mergulhado numa profunda crise económica, pois a de natureza humana e religiosa é mais antiga, deixou de falar de política, de cortes, de percentagens. Os comentadores foram “saneados” por alguns dias, julgo eu. A notícia era a resignação de SS.
Interroguei-me sobre as razões. Mas... quem sou eu para o ajuizar, o senhor que está sentado na cadeira de Pedro e que nunca deixará de ser um dos Papas da minha vida.
Após a leitura do “Declaratio” fiquei esmagado ao ler tanta bondade e humildade. Estou certo que a decisão de SS terá sido dura de a assumir mas quem o acompanhou, nem que fosse por lapsos momentos, não terá ficado surpreendido. Uma lição para a humanidade e que a história saberá dar o destaque ao Papa, ao sacerdote, enfim ao homem de Deus.
Quando nos diz: “Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.” É uma frase de ternura de quem vai partir, carregada de um grande sentimento de partilha que nós, católicos, apostólicos, romanos, não poderemos aceitar e só uma invulgar pessoa o poderia dizer.
De facto não poderemos aceitar o seu pedido de perdão, isto porque, nós, Povo de Deus, fomos indignos de quem se sentou na cadeira de Pedro. Tornámos o seu pontificado, em continuidade com o legado deixado pelo, também nosso saudoso Papa Beato João Paulo II, um período de oito anos carregado de vergonhas. Tanto mal foi feito da Igreja para a Igreja: abusos sexuais, pedofilias, tentativas de agressão física, similitudes com as ditaduras nazis, roubos, mordomos, difamações. SS suportou tudo.
Ao ódio respondeu com amor, aos revivalismos chamou os jovens, aos não crentes deu-lhes espaço para estar em diálogo, às várias confissões religiosas fez a linda abertura da porta da fé (ecumenismo e diálogo inter-religioso), às viagens deu-lhes uma dimensão não só política mas de missionário em evangelização, às portas fechadas pediu autorização e entrou para estar “com”, à Fé cristalizada deu-nos as cartas, as encíclicas e o Ano da Fé. Um Papa sem medo. Uma bênção para a humanidade que não soubemos merecer.
O mundo vai andar entretido a conjecturar sobre quem o irá suceder, como se fosse um político em campanha eleitoral. Quem vier será por desígnio do Espírito Santo e estou certo que não deixará de olhar para os seus antecessores. Terá de calçar as sandálias do pescador.
SS Papa Bento XVI, eu e a minha família vos pedimos perdão e damos Graças a Deus por termos tido a bênção de o ter como seguidor de Pedro.
Estaremos juntos em oração.
Um abraço em Cristo, Filho da Virgem Maria, deste vosso servo. 
Com saudade.
António José Tadeu Costa
Nota: O blogue tem como título interrogativo: Onde está Cristo?...  Eu vi Cristo no Papa Bento XVI

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Ninguém jamais viu a Deus."

"Ninguém jamais viu a Deus. O Filho único que está no seio do Pai é que O deu a conhecer" (1, 18) segundo o Evangelho de S. João. É com base nesta passagem do Novo testamento que SS Bento XVI diz: "Em Jesus, cumpriu-se a promessa do novo profeta. N'Ele realizou-se agora plenamente o que em Moisés se encontrava apenas de modo imperfeito: Ele vive na presença de Deus, não apenas como amigo, mas como Filho; vive em profunda unidade com o Pai".

In, Bento XVI, Joseph (2007), Jesus de Nazaré, 1.ª Edição, A esfera dos Livros, Lisboa

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"Jesus de Nazaré" - OS TRÊS LIVROS - Sua Santidade Papa Bento XVI

Ao ser apresentada a terceira e última da trilogia literária da autoria de Bento XVI, "A infância de Jesus", parece, para um comum observador das três publicações levadas a efeito, haver uma certa desarticulação no lançamento das obras pois a última trata de como tudo começou. Temos de mergulhar na leitura das mesmas para percebermos qual a verdadeira lógica. Este homem, Bento XVI, tem uma sensibilidade invulgar e atrevo-me a dizer que ele deixou para o Ano da Fé, de facto, como tudo começou para o Cristianismo.
Ver comentário - 1.º Livro - "Jesus de Nazaré"
Ver comentário - 3.º Livro - "Jesus de Nazaré - A infância de Jesus"