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sábado, 7 de janeiro de 2023

Portanto, Deus existe!

Milhões... Milhões... Milhões...

Esta palavra entrou de forma natural nos nossos dias. Geralmente associada ao dinheiro: os vencimentos (soa mal esta palavra) do CR7, a injeção de dinheiro na TAP(zinha) e no BES, as doações do PRR (mentirosas porque vamos pagá-las a bom preço) da União Europeia, a população na China e na Índia, o que vai para o armamento, etc, etc, etc.

Vem isto a propósito da minha última leitura de cabeceira - O universo - de Paulo Crawford, uma publicação da Fundação Francisco Manuel dos Santos e aqui deixo uma das minhas notas. Contudo fica este número, atualizado, da idade do universo - 13,77 milhares de milhões de anos.

Este número é uma imensidão, e se não fosse uma cifra exata seria o mesmo do tamanho do universo. Algo de inimaginável. Mas não precisamos de ir muito longe para encontrarmos grandezas deste calibre, o nosso cérebro é constituído por 86 mil milhões de neurónios. Tudo é grande.

Retive esta passagem, a dado momento, na página 51 e 52: "A descoberta de que o universo teve uma origem, não sendo estático, mas pelo contrário expande-se continuamente, tem consequências importantes do ponto de vista filosófico, como se verá adiante, mas também pode ter, do ponto de vista religioso, um significado profundo para os crentes, pois sugere que o universo teve um início. Por sua vez, um início implica de certo modo uma criação do universo. Não surpreende, pois, que em 1951,  o Papa Pio XII  tenha adotado o conceito de Big Bang, a origem do universo, como uma evidência do Génesis nos seguintes termos: <Segundo parece, a ciência atual, com uma vassourada através dos séculos, foi bem-sucedida no testemunho do instante augusto do Fiat Lux  primordial,  quando juntamente com a matéria brotou um mar de luz e radiação,  a partir do nada,  e os elementos se dividiram e se agitaram para formar milhões de galáxias. Assim, com aquela concretização que é característica das provas físicas, (a Ciência)  confirmou a contingência do universo e também a dedução fundamentada da época em que o mundo saiu das mãos do Criador. Portanto a criação teve lugar. Digamos: portanto, existe um Criador. Portanto, Deus existe!>"


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

"Novas Bem-Aventuranças para a Família"

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Novas Bem-Aventuranças para a Família".

  1. "Bem-aventuradas as famílias que entendem a sua missão como uma arte de hospitalidade".
  2. "Bem-aventuradas as famílias que diariamente combatem o analfabetismo dos afetos".
  3. "Bem-aventuradas as famílias que compreendem a importância do inútil".
  4. "Bem-aventuradas as famílias que cultivam uma arte da lentidão".
  5. "Bem-aventuradas as famílias que não deitam fora a caixa dos brinquedos".
  6. "Bem-aventuradas as famílias que arriscam fazer um bom uso das crises".
  7. "Bem-aventuradas as famílias que dizem de si mesmas: 'somos um laboratório para a alegria' ".
  8. "Bem-aventuradas as famílias que vivem no aberto do mundo e de Deus".
Viana do Castelo


domingo, 23 de outubro de 2022

"Nós só perdemos aquilo que não damos." José Tolentino Mendonça

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "O Magnificat é, talvez, o mais belo poema".

Paul Claudel perdeu a Fé durante a sua juventude. Era,  podemos dizer,  uma Fé herdada, sociológica… A sua descoberta de Deus, a conversão que o irá transformar por completo, ocorre mais tarde, num dia em que ele entra, quase por acaso, na Catedral de Notre-Dame,  em Paris, e ouve cantar o Magnificat. Claude conta o que sentiu: ‘Num  momento, todo o meu coração se comoveu como nunca;  eu acreditei por dentro e com todas as forças;  todo o meu ser era como que violentamente arrebatado para o Alto. E havia em mim uma convicção tão forte, uma segurança tão indescritível, que fez desaparecer todos os resquícios das anteriores dúvidas.’(...) ‘Penso, muitas vezes, que o Magnificat é talvez o mais belo poema que existe. É um poema que ‘anuncia’, que não canta apenas a terra como Homero. Entre dois mundos, na encruzilhada da história, uma mulher levanta-se e diz o poema da Salvação.’ (Sophia de Mello Breyner Andersen, Jornal de Letras, 16 de fevereiro de 1982).

Todo este capítulo de Tolentino é de uma beleza que nos inspira a sermos, como Maria, os mensageiros de Deus, que é Amor. Merece uma leitura (e já ficamos colados à essência), mas outras leituras acontecerão porque são o (“re”)descobrir de Maria como “proclamadora do Magnificat”.

Em Alpiarça

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

‘Por que é que os homens se deslocam em vez de ficarem quietos?’ Bruce Chatwin

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Mais do que viajantes, peregrinos".

"O escritor de viagens Bruce Chatwin, que escreveu muito sobre o espírito da viagem,  confessa na sua obra Anatomia da Errância, que a pergunta-chave de que devemos partir é a seguinte: ‘Por que é que os homens se deslocam em vez de ficarem quietos?’ Esta pergunta reconduz-nos, como veremos,  ao centro do mistério do próprio homem.

A razão dessa confiança que nós podemos ter, Paulo explica claramente: é a superabundância,  a plenitude,  o pleroma inultrapassável da graça de Cristo. Nós  somos associados a Cristo e a nossa existência torna-se uma existência crística. Por isso, toda a teologia de  Paulo é fundada sobre uma descrição das transformações que acontecem ao homem na sua peregrinação para Deus, em Cristo. É uma verdadeira teologia da viagem da  qual a Cruz e a Ressurreição são o mapa e o caminho, a sede e a fonte. ‘Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’ “. José Tolentino Mendonça



quinta-feira, 20 de outubro de 2022

"Os olhos deles, como os nossos olhos, são abertos pela Fé"

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Emaús, laboratório da Fé Pascal".

“As casas em Lucas são territórios onde Jesus desenvolve preferencialmente o seu ministério em ordem à revelação.  A casa chega mesmo a representar uma alternativa ao Templo, e a tudo o que ele simboliza. O centro das casas, no Evangelho, é a mesa e também aqui o movimento de Jesus é nessa direção: ‘reclinou-se na mesa com eles’ (v. 30).  Ora,  é precisamente à mesa que, em Emaús,  ocorre uma surpresa.  Normalmente a casa aparece associada àquele a quem pertence,  e esse preside aos comensais.  Aqui temos um elemento atípico.  Ao longo de todo o episódio,  a ação de Jesus foi relatada a par de ações dos discípulos.  Aqui,  os discípulos ficam suspensos. O v. 30  é o único momento do relato em que a ação pertence exclusivamente a Jesus (‘E, quando se pôs à mesa, tomou pão,  pronunciou a bênção e, depois de  o partir,  entregou-lho’).  Aquele que era o forasteiro,  agora é o anfitrião.  Aquele que estava morto convida a partilhar a sua vida. (...) Os olhos deles, como os nossos olhos, são abertos pela Fé.” José Tolentino Mendonça





segunda-feira, 17 de outubro de 2022

"E vós, porém, quem dizeis que Eu sou?" - pergunta-nos Jesus

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "A pergunta do meio do caminho".

"Na tradição rabínica eras os discípulos que interrogavam o Mestre e não o contrário. No Jesus de Marcos encontramos as duas situações. Várias vezes os discípulos pedem um esclarecimento a Jesus. Mas também acontece (cf. 3,4; 9,33) que Jesus interpele os seus. Este facto inédito manifesta a intensidade da relação que os ligava. Jesus não quer uma relação escolar: Ele deseja uma partilha de vida, de intimidade e de destino. (...) O facto de ser Pedro a responder está de acordo com o programa narrativo de Marcos, que coloca sempre em evidência a figura deste discípulo. É ele quem normalmente toma a palavra em nome do grupo (9,5; 10,28; 11,21). É sempre o primeiro mencionado quando se nomeia o grupo. O seu protagonismo é sublinhado do princípio (1,36) ao fim (16,7). As intervenções de Pedro, porém, não são completamente ajustadas. Ele duvida e discorda (8,22-23). Certamente também ele terá de fazer o seu caminho na compreensão pascal de Jesus. Em 14,27-31, por exemplo, diz que dará a vida por Jesus mas, em 14,66-72, diz que não conhece <esse homem>. As suas lágrimas são a última imagem que o Evangelho transmite dele, e espelha bem como foi na dificuldade e na prova que a sua Fé se fortaleceu." - José Tolentino Mendonça

https://www.youtube.com/watch?v=YEbJ9TW9ihc

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

"Para Jesus, a oração não fazia apenas parte da vida: ela era a vida."

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Rezar até à impossibilidade de Rezar".

"Oração de Abandono, do Beato Charles de Foucland, traduz tão bem:

Meu Pai,
Eu me abandono a ti,
Faz demim o que quiseres.
O que fizeres de mim, 
Eu te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criaste,
Nada mais quero, meu Deus.
Nas tuas mãos entrego a minha vida.

Eu te dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque te amo.

E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és... meu Pai!" 




terça-feira, 11 de outubro de 2022

"Beleza é verdade e verdade é beleza".

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Reconciliar-se com a Beleza".

Dizia a o cardeal Ratzinger "(...) 'Quem quer que creia em Deus, no Deus que se manifestou precisamente na aparência desfigurada de Cristo crucificado como amor até ao fim (Jo 13,1), sabe que beleza é verdade e verdade é beleza; mas, em Cristo sofredor, também aprende que a beleza da verdade acolhe igualmente a ofensa, a dor e mesmo o sombrio mistério da morte, e que ela só pode ser encontrada quando se aceita o sofrimento, não quando se procura ignorá-lo.' De facto não há beleza que não seja costurada pelo mistério da cruz, que não nos coloque como Maria e João aos pés da cruz." José Tolentino Mendonça

Na Serralharia Franco
(Viana do Castelo)


segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Pai-nosso: A primeira palavra é "Pai" e a última é "Mal"

Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Mostra-nos Pai". 

"(...) se atendermos ao jogo do seu (Pai-nosso) alinhamento frásico detetamos o seguinte: a primeira palavra é "Pai" e a última é "Mal". O desenho do texto aparece, por isso, investido de um grande significado, quando nos revela que o mal surge no extremo inverso ao pai, que o mal é o antipai. Isso é decisivo compreendermos. (...) Pensando no Pai-nosso, podemos dizer que o objetivo da oração é colocar-nos no Pai, inscrever-nos no seu coração: eu sou no Pai, existindo no Pai. A principal das orações cristãs não é um argumentário de pedidos, mas a expressão de uma relação confiante. Essa é a originalidade de Jesus. O apelo direto ao Pai é invulgar na tradição judaica. E torna-se ainda mais significativo quando, no espaço de uma prece tão sóbria como é o Pai-nosso, Jesus escolhe voluntariamente reconduzir o coração orante à sua essência: o próprio Pai." José Tolentino Mendonça

Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa


domingo, 9 de outubro de 2022

O que é a Providência?...

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "A nossa vida é uma paisagem onde Deus se vê".

Este capítulo todo ele é um hino ao conceito da Providência. A sua leitura é recomendável nomeadamente o Salmo 65. Contudo:

"Na abertura da sua primeira encíclica, Deus caritas et, o papa Bento XVI escreve: 'O amor de Deus é questão fundamental para a vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós.' De facto, a nossa vida é uma paisagem onde Deus se vê. Como cada vida é única, há algo de único que cada um de nós pode testemunhar sobre Deus. (...) A providência radica-se aí: ela é a expressão do amor que não pode não amar, a cada momento, em cada gesto. O discurso teológico sobre a Providência é, na tradição bíblica, uma espécie de lente fotográfica que torna o rosto amoroso de Deus subitamente próximo." José Tolentino Mendonça

Viana do Castelo


sábado, 8 de outubro de 2022

"Isso é a compaixão" - Jean Vanier

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Deus faz-me sorrir". 

"Jean Vanier, fundador da Comunidade Evangélica Arche que acolhe, de modo evangélico, pessoas com muitas limitações físicas, tornou-se uma voz profética importante no nosso tempo que mostra bem a importância da Fé para curarmos as feridas do nosso corpo e da nossa alma. Ele escreve: 'O Evangelho pode assumir-se assim: não julgueis ninguém nem a vós mesmos, não condeneis ninguém nem a vós mesmos, tentai compreender os outros e a vós próprios. Isso é a compaixão. Compaixão não é apiedar-se, oferecer alguma doçura ou algum dinheiro. Muitas vezes, tal é necessário, mas por si só não basta. A compaixão é olhar o outro (e a nós próprios) e ajudá-lo a revelar-se. A compaixão é revelar-lhe que ele tem valor e que Deus habita nele. É ajudá-lo a ir até ao fim daquilo que ele pode viver'." José Tolentino Mendonça
Mauricio de Sousa - cartoonista



sexta-feira, 7 de outubro de 2022

"Os velhos deviam ser como exploradores" - T. S. Eliot

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Os velhos deviam ser como exploradores". 

< Precisamos de, em qualquer idade, e sobretudo à medida que avançamos na idade, reganhar espiritualmente um coração de criança. "Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: 'Quem é o maior no Reino dos Céu?' Ele chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: 'Em verdade vos digo: se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu. Quem pois, se fizer humilde como este menino será o maior no Reino do Céu' " (Mt 18, 1-4). Voltar a ser pequenino, no espanto e na confiança com que vivemos os caminhos de Deus. > José Tolentino Mendonça



quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A Fé e o Amor - José Tolentino Mendonça

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Um tesouro escondido".

< A Fé é uma história de fidelidade que se constrói, não é o mero entusiasmo de um momento. (...) O Amor é isso: despojamento, escolha e aceitar ser entregue. Nas palavras eucarísticas de Jesus, "Isto é o meu corpo entregue por vós" (Lc 22-19), temos a prova e o relato do amor que agora nos cabe viver. > José Tolentino Mendonça





quarta-feira, 5 de outubro de 2022

"Meia verdade..." - Sophia de Mello Breyner Andresen

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "Acende a tua candeia".

< Escreve a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen: "Meia verdade é como habitar meio quarto/Ganhar meio salário/Como só ter direito/A metade da vida." De que nos alimentamos e como vivemos nós? Vida inteira ou meia vida? (...) Pudéssemos nós dizer com Santa Teresa Benedita da Cruz: "A minha procura da verdade foi autenticamente uma oração." > José Tolentino Mendonça



terça-feira, 4 de outubro de 2022

"Uma árvore é uma semente que cresce devagar e em silêncio" - Bruno Munari

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem no capítulo "A lâmpada de Deus não se apagou":

< Não temos de temer o silêncio que é a respiração da vida interior. Somos chamados, sim, a abraçá-lo. Gosto daquela frase conhecida do designer italiano Bruno Munari: "Uma árvore é uma semente que cresce devagar e em silêncio". > José Tolentino Mendonça



segunda-feira, 3 de outubro de 2022

"Fazei das vossas vidas lugares de beleza" - Bento XVI

 Leitura pela manhã de José Tolentino Mendonça - "O TESOURO ESCONDIDO".

Retive esta passagem final do Prefácio:

  < De facto, a beleza não é um mero estemismo, mas é uma ferida aberta que nos impele para aquela procura de onde partimos, inquietando e resolvendo a nossa sonolência; é uma brecha que se abre para o infinito, para o eterno, para o mistério, mas através de uma fresta que nos obriga a estender o olhar e a apurar a vista. E, então, surge um último apelo: "Sem a Beleza atrativa de Cristo, o Cristianismo (como a própria vida interior) é seco, funcional, burocrático, ritualista, um banho externo de convenções ao qual o nosso coração continua impermeável." Por isso, "deixemo-nos tocar, encantar, enamorar, ferir pela beleza que Deus revela em Jesus". > Cardeal Gianfranco Ravasi



sábado, 1 de fevereiro de 2020

Livro - "Que farei com este livro?" de José Saramago

A leitura desta obra do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, contribui para fazer as "pazes" com o autor. Várias vez tentei a leitura de outras duas obras do mesmo mas fiquei-me pelas páginas iniciais. Incapacidade minha sem dúvida.

Partilho algumas notas desta peça de teatro, que entendo ser fundamental para quem pretenda abordar a leitura dos Lusíadas do poeta Luís Vaz de Camões. Parece que na net existe o pdf da obra. Será legal?

Saramago, J (2015). Que farei com este livro?, 6.ª edição, Porto Editora, Lisboa

p 14 - Damião de Góis, cronista e guarda- mor da Torre do Tombo, diz quanto aos Lusíadas que a "diferença estará nos olhos que o lerem".
p 41 - A verdade é timbre de bom nascimento, só os vilões mentem (...).
p 33 - Portugal é uma panela de barro. Não lhe convém encostar-se demasiado à panela de ferro que Castela é.
p 45 - Servem as palavras para isto: tão certas são para errar, como erradas para acertar.
p 49 - Ana de Sá Vieira é mãe de Luís Vaz de Camões, esperou 17 anos pelo seu filho, sem nada saber dele e vivia na Mouraria (Lisboa).
p 66 - Os melhores sonhos são os que se fazem de olhos abertos, não os da cegueira .
p 71 - São muito claras as palavras, tanto no seu dizer como no seu sentido.
p 107 - Porque a este sol de Fevereiro sobeja-lhe em luz o que lhe falta em calor.
p 127 - Um dia bem acabado é um presente do Céu.
p 130 a 132 - Argumentos quanto à utilização da mitologia grega e romana para a epopeia e não a invocação ao Divino.
p 134 - Com os sentidos do corpo e da alma conheço o mundo e reconheço a Deus.
p 140 - Procura o que quer achar. E quando se quer achar o que se procura, encontra-se sempre.
p 142 - Mas quando é bom o presente, ou aceitável, andamos sempre a temer o dia de amanhã.
p 143 - São sapatos de defunto que não servem aos pés de quem ficou vivo neste mundo.
p 176 - Dinheiro nesta mão e pescado na outra.

Imagem da Internet
Por, António Tadeu Costa

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Augusto Cury - "O mestre da vida" (livro)

Augusto Cury tem imensas publicações de natureza científica e outras relacionadas com Jesus Cristo.
Em tempos, na Feira do Livro em Lisboa, percorri os stands que tinha selecionado à procura deste livro do qual partilho algumas notas.



Cury, A. (2011). O mestre da vida, 1.ª edição, Livros d’Hoje, Lisboa

O meu posfácio

Pág. Transcrição

17 Um homem carpinteiro de mãos ásperas que com palavras talhava as emoções humanas.
19 Lázaro jazia há 4 dias; sabendo que 15 minutos em que o cérebro não é irrigado sofre lesões imparáveis; Jesus supera a ciência.
21 Sem a fé do ser humano, sem a sua cooperação, Jesus Cristo raramente age.
32 O milénio atual tem como termómetro da qualidade de vida a psiquiatria e a psicologia.
32 300 a 600 soldados prenderam Jesus.
33 Judas traiu o seu mestre pelo preço de um escravo.
35 Judas entregou Jesus com um beijo pois sabia que não usaria outra reação que não o Amor.
36 Quando a nossa frágil paciência se esgota ferimos aqueles que mais amamos.
37 Surpresa para os soldados, Jesus entregava-se tranquilamente.
47 Quem quer ser um bom educador tem de ter a paciência de um agricultor.
51 Nunca Alguém que se preocupou tanto com a dor humana foi tratado de maneira tão impiedosa.
53 Os evangelhos são biografias sintéticas, mas os quatro relatam ao pormenor a Paixão de Cristo.
55 Lucas não conheceu Jesus – a organização dos Evangelhos.
56 Jesus foi interrogado, julgado e torturado por Anás, Caifás, Pilatos e Herodes.
59 Jesus expôs mais de 20 pensamentos no julgamento.
66 Os fracos mostram a força da ira, mas os fortes mostram a força do perdão.
66 MUC (memória de uso contínuo) – definição.
69 “A negação de Pedro” – desenvolvimento.
88 Em nome de Deus os homens feriram a Deus, porque não descobriram que Ele estava escondido na pela do homem.
91 Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) – definição.
96 “As três condenações” – desenvolvimento.
107 Herodes o Grande matou as crianças, Herodes Antipas, o filho, matou S. João Batista e condenou Jesus.
117 “A ferramenta do silêncio” – desenvolvimento.
118 Cada chibatada era como uma cirurgia sem anestesia.
129 Os judeus, que eram humilhados pelo império romano, preferiram esta situação e entregaram Jesus.
131 Sentença escrita que se encontra no Museu de Espanha – transcrição completa.
137 Os grupos que abandonaram Jesus – desenvolvimento – e onde estavas tu?
143 Psicopedagogia de Jesus, as suas características – desenvolvimento.
146 “Deus não existe, é uma criação da mente” – desenvolvimento.
150 “Deus não é uma invenção do intelecto” – desenvolvimento – a governabilidade do pensamento, a psicoadaptação e o autofluxo implicam a existência do Criador”.
155 “Deus existe mas abandonou a humanidade por considerá-la um projeto falhado” – desenvolvimento.
157 “Deus existe e traçou um projeto inimaginável para resgatar a humanidade” – desenvolvimento.
159 Nenhum de nós sabe de onde veio e para onde vai a não ser que use a fé. A fé é a ausência da dúvida.
167 Cada ser humano, por mais anónimo que seja, possui uma história espetacular, mas não se dá conta disso.
170 O perdão na Sua boca tornou-se uma arte; o amor poesia; a solidariedade uma sinfonia; a mansidão um manual de vida.
170 Tanta sabedoria transformava-O no mais tranquilo dos homens, no mais calmo dos torturados, no único réu que comandou o seu julgamento.
184 Apêndice (quem foram): Herodes, o grande; Herodes Antipas; Tibério César (imperador); Pôncio Pilatos.

Por, António Tadeu Costa

domingo, 6 de outubro de 2019

Bandeira que poderia ser controversa

Publicação: Quinas e castelos - Sinais de Portugal
Autor: Miguel Metelo de Seixas



Volvido o 5 de outubro de 2019 transcrevo alguns pormenores, para mim interessantes, que retirei da leitura deste livro e que dão conta de um Bandeira profundamente marcada pela heroicidade de um Povo, agarrado a uma mensagem Cristã e que a República teve a inteligência de não a matar na sua simbologia. 

  • "A revolução republicana vitoriosa a 5 de Outubro de 1910 levou à constituição de um governo provisório  chefiado por Teófilo Braga. Entre uma série de medidas que se prendiam com a representação do Estado, o governo provisório preocupou-se, como era natural, com a questão da manutenção ou alteração do seu símbolo supremo: a bandeira nacional." 
  • "(...) o governo provisório nomeou, logo dez dias após o triunfo da revolução, uma comissão para as resolver. (...) «considerando que a bandeira é o símbolo da Pátria e importando definir e resolver sobre a representação moral da nacionalidade»; e compunha-se a comissão de cinco membros: o escritor Abel Botelho, o pintor Columbano Bordalo Pinheiro, o tenente António Ladislau Parreira, o capitão José Afonso de Palla e o jornalista João Chagas, todos eles ligados pelo denominador comum de serem indefectíveis republicanos .
  • «O branco não há dúvida que deve, em todas as hipóteses, ter representação na nova bandeira»; já quanto ao azul, a comissão considerava que a sua inclusão na bandeira se havia originado numa referência ao culto mariano (em especial a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do reino), e que, embora fosse uma cor aprazível, revelava-se demasiado branda e até representativa de uma certa perda de energia do povo português, pelo que devia ser banida da nova bandeira porquanto «para nós, histórica e moralmente, o azul é uma cor condenada».
  • "(...) vermelho: associava-o a uma cor presente na bandeira portuguesa desde D. João II e por isso ligada à epopeia gloriosa dos Descobrimentos, classificando-o como «cor combativa, quente, viril [...], cantante, ardente, alegre», 
  • "(...) verde, os relatores assinalavam, antes de mais, a sua condição de cor positivista, isto é, definida por Auguste Comte como cor do futuro, e por isso adaptada pelo positivismo e pelas instituições que, no século XIX, mais pugnavam por essa filosofia política, como a maçonaria"
mas bem antes do 5 de outubro
  • "(...) D. Pedro na sua Crónica Geral de Espanha de 1344, referindo-se à Batalha de Ourique: «E, depois que os reis foram vencidos, como dissemos, o rei Dom Afonso de Portugal, por memória daquele bom acontecimento que Deus lhe dera, pôs no seu pendão cinco escudos por aqueles cinco reis, e pô-los em cruz em lembrança da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. E pôs em cada escudo trinta dinheiros por memória daqueles trinta dinheiros por que Judas vendeu Jesus Cristo (...)"
  • "A revolução republicana de 1910 poderia ter significado uma ruptura neste entendimento centenário de continuidade da simbólica nacional. E foi-o, em certa medida. Quando decretou a abolição da bandeira azul e branca, numa decisão amplamente contestada mesmo dentro das fileiras republicanas, o governo provisório (depois secundado pela assembleia constituinte) substituiu-a por uma bandeira que protagonizava, pela primeira vez em séculos de história, uma ruptura declarada com a tradição, uma vez que ostentava as cores verde e vermelha, usadas pelas forças, instituições e ideologias que haviam estado na base do movimento revolucionário. Mas este rompimento brutal via-se atenuado pela conservação do escudo com as armas nacionais, sobreposto à esfera armilar, que preenchia a linha divisória da bandeira, formando, outrossim, o emblema do Estado."
Por António Tadeu Costa

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Macaco bêbedo

Autor: Afonso Cruz

Publicação de qualidade que nos alerta para vários aspetos da civilização e onde o denominador comum é a Cerveja.

O Macaco Bêbedo foi à Opera
Ler (+)

Nas minha notas:

"E, para terminar este assunto com uma opinião abalizada: frei Fernando Ventura, que apresentou o livro Jesus Cristo Bebia Cerveja, disse, por ocasião do lançamento, quando lhe perguntei se Jesus bebia cerveja: «É óbvio que sim. Jesus gostava de coisas boas.» 
Deus Pai também. No final de cada um dos dias da Criação, Ele constatava que a obra era boa. Ou talvez tivesse bebido um pouco de álcool cósmico a mais e nos dias seguintes, pela manhã, Se arrependesse, mas se de facto Se arrependia ou não dificilmente saberemos; podemos apenas confirmar pela leitura do texto gene­síaco que no final do dia Se sentia orgulhoso com o que obrara. O axiarquismo da Sua conduta leva-nos a concluir o seguinte: devemos a nossa existência a coisas boas, como o amor e a cerveja. Sabemos que a vida é boa, quando no final do dia ponderamos o que fizemos e concluímos que valeu a pena, que foram boas obras."
Por, António Tadeu Costa