sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Como se gere uma empresa?... Teles e Parente

«Empresas não devem existir para ganhar dinheiro», mas «para servir», afirma papa.


Vem a propósito esta referência do Santo Padre para historiar aquilo que vivi, enquanto jovem e quando realizei o trabalho de ajudante de escritório na Firma onde o meu pai trabalhou.

A pequena empresa de Carpintaria e Marcenaria, Teles e Parente, situada na Rua Cidade Cardiff (Lisboa), tinha um sócio gerente, um encarregado (o meu pai), um guarda-livros, dois trabalhadores de máquinas (serra, garlopa, tupia,...), seis carpinteiros e dois serventes.

Era aquilo a que se chama hoje uma micro-empresa.

Costumava dizer que esta empresa era especialista em construir desde um simples banco até a um grande banco (agência bancária).

A carteira de encomendas era grande e por vezes tinham de rejeitar trabalho pois gostavam de honrar com os compromissos estabelecidos.

Posso testemunhar que quando era convidado pelo sócio gerente, Sr. Engenheiro Teles, a visitar algumas serrações para a compra de toros de madeira, em todas as empresas havia uma total abertura na compra a crédito da necessária matéria prima, pois sabiam que na data exata a "letra" era vencida.

Esta empresa, como disse, tinha honra para além da qualidade inerente a este tipo de trabalho.

Mas era uma empresa "para servir", conforme diz o papa, e explico a razão.

Estávamos perto do final do mês e tinha ficado com o encargo de elaborar as folhas de vencimento dos trabalhadores, de acordo com as instruções do guarda-livros. A dado momento interroguei o meu pai sobre o vencimento de um dos trabalhadores pois ele nesse mês iria auferir quase quatro ordenados base.

O homem era um excelente marceneiro, com uma grande disponibilidade técnica e sentido do dever profissional... Era uma imagem de marca e de credibilidade da empresa.

Nesse mês, conforme explicou o meu pai, o trabalhador em causa teve direito ao seu vencimento base, ao subsídio de férias, o pagamento das horas extraordinárias e por fim uma contribuição dos lucros da empresa.

Isto aconteceu no início dos anos 80, num país (Portugal) mergulhado em greves laborais de tal forma que esta pequena empresa numa década não teve capacidade de se manter e sucumbiu. 

Alguns trabalhadores foram alocados a uma nova empresa e aquele que aqui destaquei foi trabalhar para um dos grandes clientes da Firma Teles e Parentes.

Várias vezes conto este facto pois é uma lição no espaço empresarial e fiscal, onde tudo era rigorosamente tributado e de acordo com a lei vigente.

Hoje falamos em milhões de euros. Até as crianças falam dos ditos milhões. Mas não passamos de um país falido que deve empréstimos de milhares de milhões de euros.

Por, António Tadeu Costa

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