domingo, 31 de maio de 2020

Trapalhada no Cemitério

Confinado há semanas, hoje pela manhã fui 'visitar' a minha mãe e o santo que me condicionou a vida, ambos ao Cemitério.
Desde pequeno que os meus pais me levavam ao Cemitério, recordo-me o do Lumiar para arranjar a campa da avó materna. Era para nós filhos uma situação banal e em nada nos preocupava - com algumas cautelas até dava para brincadeiras ligeiras que pouco duravam porque a minha nos 'abria' os olhos e tudo parava. Respeitinho.
Hoje antes de entrar no Cemitério do Alto de S. João (Lisboa) dirigi-me a uma florista para comprar duas flores: uma para a minha mãe e a outra para o padre da minha vida. Contudo a florista disse-me que iria oferecer mais uma flora. Agradeci o gesto e efetuei o pagamento.
Pelo caminho até à sepultura da minha mãe verifiquei que aquele gesto da florista não foi em vão: de facto o meu pai já falecido volvidos quase 24 anos foi ali sepultado. Estava o destino traçado e as duas flores, brancas, ficaram 'à guarda' da minha mãe. Mãe e pai faleceram no mesmo dia (30 de novembro) o pai em 1994 a mãe em 2018.
De seguida dirigi-me ao Cemitério do Lumiar (Lisboa). Não me recordava do lugar da campa desse meu amigo, pedi ajuda na secretaria e lá me indicaram o n.º 4544.
Ao aproximar-me do local coloquei a flor e não é que me tinham enganado a sepultura era a 4545, pois estava devidamente identificada com uma pequena lápide. Embaraçadamente coloquei a flor no local que estava destinado.
Esta história, assim escrita, não passa de um vulgar momento. Mas foi uma manhã intensa de Pentecostes.
Rezei pelas quatro pessoas: a minha mãe Aurora, o meu pai José, o amigo Padre José Vicente e pela pessoa da campa 4544.

Por, António Tadeu Costa

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