quinta-feira, 29 de julho de 2021

A cusquice do Banco Montepio

O ato criativo no ramo do publicidade tem gerado contributos geniais, embora alguns sejam, para mim, de mau gosto. Mas este é o efeito da publicidade: divulgar o produto fazendo atrair o consumidor. 

Vem isto a propósito de um anúncio que ontem presenciei numa das agências do Montepio. Segue foto que retirei da web:


Aquela imagem que observei na agência não tinha o humorista Bruno Nogueira (apenas uma mão de dedo em riste junto à boca) e a senhora, pelos vistos a 'cusca', apresentava-se com um eventual muito usual nas donas de casa.

Pois bem, a criatividade não tem limites mas a exposição da mesma deve-se reger pelo bom senso.

Ao observar o anúncio saltou-me a tampa para todos os fofinhos deste Portugal, que se em vez da senhora estivesse alguém cuja sociedade parece que tende a estigmatizar. Cuidado!

Isto para justificar que a 'cusquice' está instalada em todos, pois quase todos se movimentam pelas redes sociais e as tv's (ditas generalistas) a esta hora em que escrevo este post nos oferecem rubricas que são autênticas bisbilhotices e os que são alvo destas investidas até gostam (dizem que até pagam para que tal aconteça).

Olhando para a imagem não me passa pela cabeça que o humorista esteja a simular uma arma apontada nas costas da senhora para que se mantenha calada - agora fui bastante criativo, até me surpreendi - não, nada disso. Aquilo que registei é que a senhora, de alguma idade, provavelmente avó e de avental, faz parte daquele 'lote' de senhoras que saudamos na vizinhança, com simpatia e que até nos conferem alguma segurança no bairro por exercitarem a 'cusquice', mas que nesta publicidade pretende que esteja silenciada.

Uma saudação muito grande a todas as avós e nomeadamente para as que sejam 'cuscas'.

Nota: Deixo outra imagem que recortei na web na mesma escala de publicidade da empresa.


Por, António Tadeu Costa


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